A virada do processo criativo


Não sei vocês, mas quando estou no meio de um trabalho artístico sempre chega um momento em que começo a ficar insegura, cheia de dúvidas e querendo tacar fogo em tudo, mesmo que o resultado esteja ficando bom. 

Quando entro nesse estágio parece que fico presa. Não funciona simplesmente deixar aquele trabalho de lado e começar outro - eu fico nesse humor de artista-amarga por dias, semanas ou até mesmo meses. A vontade é de nunca mais encostar em nenhuma tinta, lápis, tela, sketchbook e nem ver nenhum tipo de arte por aí porque o único sentimento presente nesse coraçãozinho rancoroso é de que a arte foi uma praga enviada ao mundo pra destruir todos meus sonhos. 

Esse sentimento fica aqui dentro até que vem algo e quebra o ciclo - e existem várias coisas por aí que podem fazer isso: pode ser uma palestra, uma palavra amiga, uma frase, um vídeo, uma pessoa, uma história inspiradora, um livro, ou um filme, mas todas elas podem ser resumidas em uma palavra só: motivação

Sei que muita gente tem um certo preconceito quando se fala nessa palavra, eu mesma já fui dessas. Acontece que chega uma hora que a gente tem que aceitar que sem ela não saímos do lugar. E essa motivação nem precisa ser na forma dos tradicionais discursos inspiradores: o fato é que existe alguma coisa em qualquer pessoa que faz ela continuar querendo seguir em frente.

A parte estranha é que existe uma divisão: você pode ter uma motivação maior pra continuar fazendo as suas atividades diárias e ainda assim se sentir preso na arte. Por que será que isso acontece? 

Pra mim, a gente se cobra mais do que deveria toda vez que fazemos algo que de alguma forma parece validar o nosso valor perante nós mesmos e aos outros através de padrões estéticos. Com a arte especificamente, que já é um campo que muitas vezes é menosprezado, esse medo de não ser suficiente só aumenta. E mesmo que, sim, essa validação exista e tenha um papel importante (nem bom nem ruim) na nossa inserção como indivíduos na sociedade, precisamos parar de nos parar pra que as coisas andem

E isso não é tarefa fácil. A gente muitas vezes precisa que outra pessoa pare nós mesmos de nos parar. Confuso, né? Eu explico: se o conflito está dentro da gente, vai sempre existir algum tipo de mecanismo de auto-defesa que vai impedir que a gente saia do buraco que nos colocamos, afinal o nosso cérebro quer as duas coisas ao mesmo tempo: sair e ficar no buraco. Esse mecanismo acaba sendo ativado também quando pessoas que conhecemos pessoalmente tentam nos motivar (como familiares ou amigos próximos) e tentamos justificar pelo afeto tudo que nos dizem. 

É por isso que as frases e discursos motivacionais funcionam tão bem nesse caso. É uma pessoa que não necessariamente te conhece falando exatamente o que você precisava ouvir e você acredita nela, é claro. Honestamente, quem ousaria não acreditar em Beyoncé, Femingos ou Isaac Newton?

Foi pensando em tudo isso que nasceu o mais novo produto da Empório

Caixinha de Motivação para Artistas em Crise

 A ideia é simples: uma pequena caixa pra deixar na mesa ou levar pra passear mundo afora com várias mensagens para momentos de crise artística. Desenvolvida de artista pra artista, a Caixinha de Motivação para Artistas em Crise é a pausa pra recuperar o fôlego. 

Além disso, não sei se você acredita em magia, mas a gente tem certeza de que o papelzinho que você pegar pelos sopros da sorte vai ser exatamente aquilo que você estava precisando ler pra continuar provando ao mundo que há coisas que só você pode criar.  

Com amor,
Re

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